Domingo, Outubro 10, 2004

8. O QUE DIZ FURTADO
Joaquim Furtado publica hoje um texto no Público sobre o caso Marcelo. É certo que o tema não é apresentado como sendo uma competência directa de um provedor do leitor (e só por isso não tem o rótulo de brilhante) mas do ponto de vista académico-jornalístico é muito bom.
E o que diz Furtado? Chamou-me a atenção, em dois momentos do artigo, a problemática da liberdade de expressão.

“Que, em termos gerais e consoante a sua orientação, os órgãos de informação se preocupem em procurar equilíbrios e diversidade de opiniões, e que os de serviço público o façam por maioria de razão, é algo que não pode ser confundido com o que está em discussão. tentar impor - por analogia absurda com a obrigatoriedade de, sobre factos, contemplar a verdade de cada uma das partes - o dever de, a cada opinião expendida, contrapor as opiniões contrárias é incorrer numa óbvia tentativa de limitação do direito de liberdade de expressão.

(...)

"Sendo que, neste caso, as alegadas e comentadas ambições do comentador são secundárias face à envergadura do que se discute. e sobre o que - pressões políticas, interesses económicos - pouco se sabe. ironicamente, aqueles que estão no centro deste debate à volta da liberdade de expressão são os que menos a querem usar agora para contar o que verdadeiramente se passou..."